Em segundo, a quantidade de MERDAS que tocam nesses shows e a cobertura midiática completamente distorcida e feita por gente despreparada fazem com que não compense. Eu preferiria abrir mão, por exemplo, do show do Motörhead no Rock In Rio - mesmo que ele fosse completo e no formato dos concertos originais da banda - a ter que tolerar fiascos de bandas como Guns 'N' Roses e seu patético público.
Mas ao ler que, no fim da tarde deste domingo, o Ultraje A Rigor teve problemas com a crew do Peter Gabriel no festival SWU, me interessei pelo assunto, pois é uma banda da qual eu gosto bastante.
Devido à forte chuva que caiu sobre a cidade paulista de Paulínia, onde ocorre o festival, o show do Ultraje começou às 17h40, uma hora e meia mais tarde do que o horário previsto.
Isso fez com que a apresentação dos brasileiros ficasse colada na do cantor estadunidense Chris Cornell, ex-vocalista do Soundgarden (e do Audioslave, projetinho cretino dos instrumentistas do Rage Against The Machine após a saída do vocalista Zack De La Rocha, no início dos anos 2000).
Graças ao atraso, antes mesmo de o Ultraje entrar no palco, o cast da banda já começou a ter conflitos com quem acreditavam ser agentes do cantor "grunge", principal atração da noite (realmente não sei quais os critérios pra determinar tal importância).
Ricardo Trovão, agente do Ultraje e irmão do vocalista Roger Moreira, chegou inclusive a trocar socos com quem mais tarde se descobriu ser agente do músico britânico Peter Gabriel.

Durante o show do Ultraje A Rigor, pessoas desconhecidas começaram a subir no palco e pressionar a banda para encerrá-lo. Como a ordem não foi acatada, os produtores simplesmente fizeram com que a equipe técnica desligasse os equipamentos.
Discursos "patriotas" à parte, a postura da equipe de Peter Gabriel não passa de uma reação à forma com que a própria produção de tais patéticos festivais trata os artistas.
Ostenta os internacionais - muitos deles em total fim de carreira -, dando a eles um tratamento jamais recebido em seus países, faz o mesmo com algumas bandas nacionais "do momento", e trata como lixo as poucas bandas dignas de respeito.
Sinceramente, eu não faço ideia do que leva bandas nacionais honestas e com estrada como a do Ultraje e a dos Paralamas do Sucesso, por exemplo, a se submeter às regras de tais festivais. Elas não precisam disso, sendo quem elas são.
O boicote ao Ultraje a Rigor já começou antes do primeiro dia do megafestival: por ser banda de apoio do programa Agora É Tarde, que vai ao ar pela Bandeirantes, a Globo simplesmente cortou o nome do Ultraje de toda a divulgação do evento.
Nada surpreendente em se tratando de tal emissora, cujo grupo é dono do Multishow, canal de TV que transmite o festival - em seu Twitter @Roxmo, Roger continuou tratando do assunto até esta madrugada, esclarecendo alguns detalhes não veiculados pela maioria das matérias sobre o assunto.
Aí no primeiro conflito, simplesmente decidem que o show deles tem que ser sacrificado.
Peter Gabriel tá recebendo um cachê altíssimo pelo show. O certo seria ele se adaptar aos imprevistos do evento, e não o contrário.
Mas enquanto a produção dos festivais tratar tais artistas como reis, eles vão continuar reagindo de tal forma. Bastaria um pulso firme de quem formula os contratos para que os músicos gringos abaixassem a crista e se colocassem em seu devido lugar. Mas os produtores são um bando de cagão que adora fazer média.
Só posso lamentar. O Ultraje tem total potencial pra lotar casas no país inteiro, mesmo sendo a única atração.
Muito RESPEITO à toda a caminhada do Ultraje A Rigor.

ADOREI, MUITO BOM TEU TEXTO BOLÍVAR CONCORDO CONTIGO EM QUASE TUDO, SÓ NA PARTE DO GUNS, NÃO POSSO CONCORDAR, POIS AMO DEMAIS, SÃO DO MEU TEMPO DE MENINA, ASSIM COMO O ULTRAJE POR QUEM TENHO GRANDE ADMIRAÇÃO!
ResponderExcluirUma banda como Ultraje não merece esse tipo de tratamento.
ResponderExcluirMuito bom o texto. Concordo totalmente!
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