Mas o que lamentavelmente tem se popularizado cada vez mais no país desde o início dos anos 90 é o telejornalismo policial espetáculo, influenciado por programas de humor que fazem piadas ridicularizando a tudo e a todos.
Nesta terça pela manhã me deparei com a agora já famosa matéria da Bandeirantes baiana para o programa Brasil Urgente, do inescrupuloso Datena, em que a até então desconhecida repórter patricinha Mirella Cunha humilha um assaltante - que assume o crime - identificado como Paulo Sérgio.
Na reportagem, divulgada na segunda-feira pelo editor da Revista Fórum Renato Rovai em seu blog, a "jornalista" acusa Paulo Sérgio de estuprador até o levar ao choro e, na primeira oportunidade, começa a fazer piadas, primeiramente com o português do criminoso, depois com a falta de conhecimento dele sobre os termos técnicos do exame de corpo de delito. Disposto a provar a qualquer custo que não cometeu estupro, o assaltante é o induzindo pela repórter a falar que queria fazer exame de próstata.
Como fica claro no vídeo - no You Tube desde o último dia 10, - o rapaz é pobre e tem os dentes quebrados, provavelmente causados pelo consumo excessivo de crack. Mas independente da causa, ele deve ser julgado pelos crimes que cometeu. Cabe à Justiça fazer com que ele pague pelos roubos, cumprindo a pena a isso prevista por lei.
O problema é que, como sabiamente dizia o mestre Tim Maia (talvez não exatamente com essas palavras), o Brasil é o único país onde prostituta goza, cafetão sente ciúme, traficante é viciado e pobre é de direita. Mesmo com o modismo de extrema-esquerda entre os jovens universitários ricos atualmente, o conservadorismo ainda impera em alguns aspectos em todas as classes sociais (inclusive entre a playboyzada citada).
É consenso entre os brasileiros (talvez para alguns de forma inconsciente) o resquício da velha máxima da ditadura militar que "bandido bom é bandido morto". Por isso, a maioria da população ainda acha que cobrar que um criminoso seja julgado de forma condizente com o crime por ele cometido é "defender direitos do marginal". Tratam-se na verdade dos direitos do ser humano, não de uma "proteção" a um criminoso.
Aí a mídia, em vez de cumprir sua função de INFORMAR, espetaculariza um crime à base da piada e da humilhação. É óbvio que muitas leis são absurdamente questionáveis. Na minha opinião, por exemplo, estupradores e pedófilos merecem pena de morte sempre, se possível, da forma mais lenta e sofrida. Mas o que o jornalismo brasileiro está fazendo é induzir a população sem opinião a achar que o suspeito deve primeiro ser condenado, depois julgado.
Ser condenado por algo que não se cometeu é um baita problema sempre. Em se tratando de estupro, exatamente pela gravidade do ato, ser tachado de estuprador sem ter cometido de fato tal crime hediondo é um estigma gravíssimo que provavelmente se carrega pro resto da vida.
O problema já seria enorme se este tipo de matéria fosse de (ir)responsabilidade unicamente de repórteres inconsequentes como a patricinha baiana. Mas o mais grave é que há não apenas um consenso da direção do programa e da emissora, e sim uma indução a tal postura.
Em vez de reconhecer o erro e oficializar um pedido de desculpas, a emissora preferiu proteger a imagem da repórter e não se manifestar sobre o assunto, mesmo quando foi procurada pelo site Câmara em Pauta, ignorando toda a ética pregada durante a faculdade.
Infelizmente, a tendência é que tal postura da mídia seja cada vez mais a da espetacularização de tudo o que for possível. Com o que não for possível se fazer piada, irá se apelar para a dramatização, como já vem acontecendo.
Não assisto ao programa Fantástico desde que percebi que aquilo havia deixado de ser um programa jornalístico e se transformado em uma "revista eletrônica", no sentido mais pejorativo possível do termo.
Para a minha sorte, no último domingo eu passei a noite inteira na estrada, dentro de um ônibus, sem tevê. O risco de eu acabar assistindo por tabela ao Fantástico era inexistente. Assim sendo, até há algumas horas eu não havia visto o patético sensacionalismo do programa com os supostos abusos sofridos pela apresentadora carioca Xuxa Meneghel, nascida em Santa Rosa, Rio Grande do Sul.
Sim, amigos. A mesma Xuxa que em 1979 viveu (de forma extremamente convincente, o que não condiz com sua condição de péssima atrizcantoraeapresentadora) uma prostituta pedófila na pornochanchada Amor, Estranho Amor. A mesma Xuxa que, um ano após posar nua, surgiu no Clube da Criança da Rede Manchete atiçando os baixinhos com roupas curtíssimas e decotadíssimas, até mesmo para os padrões de hoje, 29 anos depois. A mesma Xuxa que em 1988 cantava que "esticava e puxava", uma óbvia analogia ao ato de cheirar cocaína.
Como todos sabem, o Fantástico é transmitido pela Globo, a emissora que derrubou Collor da presidência em 1992 e dez anos depois fez com que a candidatura de Roseana Sarney fosse cancelada. A emissora que manteve Ricardo Teixeira por 25 anos ininterruptos na presidência da CBF. A emissora que elegeu o mesmo Collor como senador menos de vinte anos após toda a sua pilantragem ter sido exposta. A emissora que ostenta os "heróis" da despreparada polícia militar mas acha justo que professores da rede pública sejam tratados como indigentes. A emissora que, após relutar, ajudou a eleger Lula e o reeleger poucos meses após o escândalo do Mensalão. A emissora que depois de dezenas de tentativas frustradas, vai conseguir fazer com que o Corinthians seja campeão da Libertadores em 2012, acabando de vez com as piadas que tanto incomodam toda sua corja.
Como todos sabem, o Fantástico é transmitido pela Globo, a emissora que derrubou Collor da presidência em 1992 e dez anos depois fez com que a candidatura de Roseana Sarney fosse cancelada. A emissora que manteve Ricardo Teixeira por 25 anos ininterruptos na presidência da CBF. A emissora que elegeu o mesmo Collor como senador menos de vinte anos após toda a sua pilantragem ter sido exposta. A emissora que ostenta os "heróis" da despreparada polícia militar mas acha justo que professores da rede pública sejam tratados como indigentes. A emissora que, após relutar, ajudou a eleger Lula e o reeleger poucos meses após o escândalo do Mensalão. A emissora que depois de dezenas de tentativas frustradas, vai conseguir fazer com que o Corinthians seja campeão da Libertadores em 2012, acabando de vez com as piadas que tanto incomodam toda sua corja.
Me surpreende que ainda achem estranho que a Rainha dos Baixinhos tenha se manifestado sobre tais abusos apenas agora. É justamente agora que os escândalos do empresário Carlinhos Cachoeira precisam ser abafados.
Como a Globo ainda não está conseguindo manipular a Polícia Federal, opta por desviar o interesse público do contraventor, que recebia favores do senador Demóstenes Torres. Tendo o BBB acabado, o que restou à emissora foi atrair a atenção do público para o "drama" da apresentadora.
Em época em que tudo é válido pela disputa de audiência, todas seguem a escola da maior do país.
Como a Globo ainda não está conseguindo manipular a Polícia Federal, opta por desviar o interesse público do contraventor, que recebia favores do senador Demóstenes Torres. Tendo o BBB acabado, o que restou à emissora foi atrair a atenção do público para o "drama" da apresentadora.
Em época em que tudo é válido pela disputa de audiência, todas seguem a escola da maior do país.
Em 2004, dois anos antes do You Tube, eu achava engraçado receber vídeos do programa Pernambucano Sem Meias Palavras, como os conhecidíssimos Jeremias Muito Louco e Comeu e não pagou.
Hoje, ver que tal tipo de matéria já era popular há oito anos só me deixa mais desiludido com a classe jornalística.
Cada vez menos se informa e cada vez mais se forma opinião, não no sentido clássico do termo, e sim no de manipular o pensamento do telespectador/leitor/ouvinte. Em época de Globo x Record, Veja x Carta Capital, tenho dúvidas se ainda há alguma mídia jornalística convencional passível de respeito e credibilidade.
Palavras de quem, mesmo penando para se formar, vivencia o jornalismo há mais de sete anos.
Felizmente há figuras da mídia como os jogadores uruguaios do Botafogo Loco Abreu e Herrera e os deputados Romário e Jean Willys, que podem ser considerados os maiores inimigos dos jornalistas manipuladores e da população fazedora de média, pois usam sua fama para agir como consideram correto.
Hoje, ver que tal tipo de matéria já era popular há oito anos só me deixa mais desiludido com a classe jornalística.
Cada vez menos se informa e cada vez mais se forma opinião, não no sentido clássico do termo, e sim no de manipular o pensamento do telespectador/leitor/ouvinte. Em época de Globo x Record, Veja x Carta Capital, tenho dúvidas se ainda há alguma mídia jornalística convencional passível de respeito e credibilidade.
Palavras de quem, mesmo penando para se formar, vivencia o jornalismo há mais de sete anos.
Felizmente há figuras da mídia como os jogadores uruguaios do Botafogo Loco Abreu e Herrera e os deputados Romário e Jean Willys, que podem ser considerados os maiores inimigos dos jornalistas manipuladores e da população fazedora de média, pois usam sua fama para agir como consideram correto.







