terça-feira, 22 de maio de 2012

Espetáculo: o assassino da informação e pai da manipulação

Não é de hoje que o jornalismo mundial está cada vez mais apelativo e sensacionalista. Tabloides ingleses possuem fama de "jornais de fofoca" desde pelo menos o início da década de 1970. O jornalismo esportivo está dominado por uma corja de pseudo-humoristas que por vezes dá espaço a um antro de repórteres caras de pau, que produzem materiazinhas melodramáticas que expõem os atletas (e aspirantes a) ao ridículo em busca de audiência.

Mas o que lamentavelmente tem se popularizado cada vez mais no país desde o início dos anos 90 é o telejornalismo policial espetáculo, influenciado por programas de humor que fazem piadas ridicularizando a tudo e a todos.

Nesta terça pela manhã me deparei com a agora já famosa matéria da Bandeirantes baiana para o programa Brasil Urgente, do inescrupuloso Datena, em que a até então desconhecida repórter patricinha Mirella Cunha humilha um assaltante - que assume o crime - identificado como Paulo Sérgio.

Na reportagem, divulgada na segunda-feira pelo editor da Revista Fórum Renato Rovai em seu blog, a "jornalista" acusa Paulo Sérgio de estuprador até o levar ao choro e, na primeira oportunidade, começa a fazer piadas, primeiramente com o português do criminoso, depois com a falta de conhecimento dele sobre os termos técnicos do exame de corpo de delito. Disposto a provar a qualquer custo que não cometeu estupro, o assaltante é o induzindo pela repórter a falar que queria fazer exame de próstata.




Como fica claro no vídeo - no You Tube desde o último dia 10, - o rapaz é pobre e tem os dentes quebrados, provavelmente causados pelo consumo excessivo de crack. Mas independente da causa, ele deve ser julgado pelos crimes que cometeu. Cabe à Justiça fazer com que ele pague pelos roubos, cumprindo a pena a isso prevista por lei.

O problema é que, como sabiamente dizia o mestre Tim Maia (talvez não exatamente com essas palavras), o Brasil é o único país onde prostituta goza, cafetão sente ciúme, traficante é viciado e pobre é de direita. Mesmo com o modismo de extrema-esquerda entre os jovens universitários ricos atualmente, o conservadorismo ainda impera em alguns aspectos em todas as classes sociais (inclusive entre a playboyzada citada).

É consenso entre os brasileiros (talvez para alguns de forma inconsciente) o resquício da velha máxima da ditadura militar que "bandido bom é bandido morto". Por isso, a maioria da população ainda acha que cobrar que um criminoso seja julgado de forma condizente com o crime por ele cometido é "defender direitos do marginal". Tratam-se na verdade dos direitos do ser humano, não de uma "proteção" a um criminoso.

Aí a mídia, em vez de cumprir sua função de INFORMAR, espetaculariza um crime à base da piada e da humilhação. É óbvio que muitas leis são absurdamente questionáveis. Na minha opinião, por exemplo, estupradores e pedófilos merecem pena de morte sempre, se possível, da forma mais lenta e sofrida. Mas o que o jornalismo brasileiro está fazendo é induzir a população sem opinião a achar que o suspeito deve primeiro ser condenado, depois julgado.

Ser condenado por algo que não se cometeu é um baita problema sempre. Em se tratando de estupro,  exatamente pela gravidade do ato, ser tachado de estuprador sem ter cometido de fato tal crime hediondo é um estigma gravíssimo que provavelmente se carrega pro resto da vida.

O problema já seria enorme se este tipo de matéria fosse de (ir)responsabilidade unicamente de repórteres inconsequentes como a patricinha baiana. Mas o mais grave é que há não apenas um consenso da direção do programa e da emissora, e sim uma indução a tal postura.

Em vez de reconhecer o erro e oficializar um pedido de desculpas, a emissora preferiu proteger a imagem da repórter e não se manifestar sobre o assunto, mesmo quando foi procurada pelo site Câmara em Pauta, ignorando toda a ética pregada durante a faculdade.

Infelizmente, a tendência é que tal postura da mídia seja cada vez mais a da espetacularização de tudo o que for possível. Com o que não for possível se fazer piada, irá se apelar para a dramatização, como já vem acontecendo.

Não assisto ao programa Fantástico desde que percebi que aquilo havia deixado de ser um programa jornalístico e se transformado em uma "revista eletrônica", no sentido mais pejorativo possível do termo. 

Para a minha sorte, no último domingo eu passei a noite inteira na estrada, dentro de um ônibus, sem tevê. O risco de eu acabar assistindo por tabela ao Fantástico era inexistente. Assim sendo, até há algumas horas eu não havia visto o patético sensacionalismo do programa com os supostos abusos sofridos pela apresentadora carioca Xuxa Meneghel, nascida em Santa Rosa,  Rio Grande do Sul.



Sim, amigos. A mesma Xuxa que em 1979 viveu (de forma extremamente convincente, o que não condiz com sua condição de péssima atrizcantoraeapresentadora) uma prostituta pedófila na pornochanchada Amor, Estranho Amor. A mesma Xuxa que, um ano após posar nua, surgiu no Clube da Criança da Rede Manchete atiçando os baixinhos com roupas curtíssimas e decotadíssimas, até mesmo para os padrões de hoje, 29 anos depois. A mesma Xuxa que em 1988 cantava que "esticava e puxava", uma óbvia analogia ao ato de cheirar cocaína.

Como todos sabem, o Fantástico é transmitido pela Globo, a emissora que derrubou Collor da presidência em 1992 e dez anos depois fez com que a candidatura de Roseana Sarney fosse cancelada. A emissora que manteve Ricardo Teixeira por 25 anos ininterruptos na presidência da CBF. A emissora que elegeu o mesmo Collor como senador menos de vinte anos após toda a sua pilantragem ter sido exposta. A emissora que ostenta os "heróis" da despreparada polícia militar mas acha justo que professores da rede pública sejam tratados como indigentes. A emissora que, após relutar, ajudou a eleger Lula e o reeleger poucos meses após o escândalo do Mensalão. A emissora que depois de dezenas de tentativas frustradas, vai conseguir fazer com que o Corinthians seja campeão da Libertadores em 2012, acabando de vez com as piadas que tanto incomodam toda sua corja.

Me surpreende que ainda achem estranho que a Rainha dos Baixinhos tenha se manifestado sobre tais abusos apenas agora. É justamente agora que os escândalos do empresário Carlinhos Cachoeira precisam ser abafados.

Como a Globo ainda não está conseguindo manipular a Polícia Federal, opta por desviar o interesse público do contraventor, que recebia favores do senador Demóstenes Torres. Tendo o BBB acabado, o que restou à emissora foi atrair a atenção do público para o "drama" da apresentadora.

Em época em que tudo é válido pela disputa de audiência, todas seguem a escola da maior do país.

Em 2004, dois anos antes do You Tube, eu achava engraçado receber vídeos do programa Pernambucano Sem Meias Palavras, como os conhecidíssimos Jeremias Muito Louco e Comeu e não pagou.

Hoje, ver que tal tipo de matéria já era popular há oito anos só me deixa mais desiludido com a classe jornalística.

Cada vez menos se informa e cada vez mais se forma opinião, não no sentido clássico do termo, e sim no  de manipular o pensamento do telespectador/leitor/ouvinte. Em época de Globo x Record, Veja x Carta Capital, tenho dúvidas se ainda há alguma mídia jornalística convencional passível de respeito e credibilidade.

Palavras de quem, mesmo penando para se formar, vivencia o jornalismo há mais de sete anos.

Felizmente há figuras da mídia como os jogadores uruguaios do Botafogo Loco Abreu e Herrera e os deputados Romário e Jean Willys, que podem ser considerados os maiores inimigos dos jornalistas manipuladores e da população fazedora de média, pois usam sua fama para agir como consideram correto.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Anencefalia: direito de escolha é diferente de obrigação

Nesta quinta-feira, dia 12 de abril, será votado no STF um projeto de lei que permite que gestantes de fetos anencéfalos interrompam a gravidez.

Como em qualquer assunto polêmico e que altera o conforto dos comodistas, centenas de campanhas rasas e contendo informações falsas passaram a ser pregadas em redes sociais como o Facebook (pregações cujas imagens apelativas, falaciosas e de mau gosto não serão usadas para ilustrar este texto).

Anencefalia é uma má formação do cérebro que, embora seja diagnosticável na fase intermediária da gestação, não possui uma origem explicável. Trata-se de uma deficiência específica em que não há formação da abóbada craniana, ou seja, a parte superior do crânio não é "tampada". Além disso, os hemisférios cerebrais são inexistentes.



Existem diversas outras possibilidades de anomalias no feto. O projeto de lei diz respeito apenas à anencefalia.

Tendo isso claro, é importante lembrar aos analfabetos funcionais que existe uma "sutil" diferença entre PERMITIR algo e o OBRIGAR. Quem não tem capacidade de discernir o significado dos dois verbos é inapto a pregar qualquer opinião referente a leis.

É lamentável que o fanatismo religioso gere campanhas tão superficiais e mentirosas. A incoerência destes reacionários é tamanha que, embora sejam completamente contra o aborto - mesmo em casos de estupro, pedofilia, incesto e outros crimes gravíssimos -, eles costumam ser totalmente a favor da pena de morte (principalmente quando se trata de criminosos pobres).

Ou seja, na concepção deles, uma mãe despreparada, traumatizada, que não escolheu estar naquela situação, que muitas vezes corre risco, é obrigada a enfrentar todos esses problemas em nome de uma vida ainda em fase de formação, enquanto uma vida já formada, com memória, personalidade e história é passível de interrupção legal.

Não acredito na ilusão de que o ser humano seja "do bem". Acho que pena de morte para estupradores e políticos e policiais corruptos seria uma saída muito justa, por exemplo. Mas acho extremamente contraditório dar mais direitos a uma vida praticamente inexistente do que a alguém com uma certa vivência.

A alienação religiosa não pode ser responsável pelo fim da vida de quem tem a alternativa de continuar vivendo. Testemunhas de Jeová deixam suas crianças morrer de causas evitáveis porque sua religião é contra transfusão de sangue. A doutrina rastafari, por considerar o corpo um templo sagrado, não permite amputações de membros, o que causou a morte de Bob Marley. A facção mais radical do catolicismo - liderada pelo boçal do papa Bento XVI - é contra o uso de camisinha.

Será que é tão difícil entender que a lei a ser votada apenas dá aos pais o direito da ESCOLHA?

Será que é tão difícil entender que ninguém vai ser OBRIGADO a "interromper uma vida"?

O que tais panfletários estão pregando é exatamente o contrário da obrigação: a proibição. Permissão é um meio termo entre os dois.

A expectativa de vida de bebês com tal deficiência é de poucos meses. Isto não significa que uma criança anencéfala não possa viver mais que isso. A ciência é passível de erros. Não tem nada de "milagre" uma criança anencéfala chegar aos três anos de idade.

Mas é um absurdo obrigar os pais a criar alguém nestas condições se é possível evitar o sofrimento tanto deles quanto da criança que ainda sequer existe. É um absurdo fazer com que os pais desenvolvam sentimento por alguém que tem prazo de vida pré-determinado (e curtíssimo).

O direito de escolha deve ser dos pais, principalmente da mãe.

Se eles desejam ter a criança e enfrentar todas as dificuldades que isso impõe, ótimo! Mas não há egoísmo algum em optar por não ter que passar por isso. Não é egoísmo uma mulher não querer enfrentar todos os perrengues psicológicos de uma gestação quando ela sabe que a criança vai viver poucos meses.

A interrupção da gestação de fetos anencéfalos sequer é considerada "aborto", pois tecnicamente o que caracteriza a vida de um ser humano são os batimentos cardíacos E o funcionamento do cérebro.

Que o STF tenha bom senso nesta votação.

Tomara que, diferentemente do que geralmente acontece, o conservadorismo religioso não influencie na decisão, pois, assim como o Brasil só é uma República Federativa no nome, o país só é laico na teoria.

Para a infelicidade de quem pensa por conta própria.

sábado, 24 de março de 2012

Foda-se o politicamente correto

Nesta sexta-feira, minutos após a morte do humorista Chico Anysio ser anunciada, milhares de brasileiros começaram a postar suas homenagens no Facebook.

Ao questionar o que foi bem designado pelo Marcus Perez como "necrofilia da arte" - hábito que os brasileiros têm de ostentar todo artista que morre, mesmo que nunca tenham sido fã de seu trabalho até então -, acabei sendo mal interpretado.

Meu post "Agora todo mundo é fã do Chico Anysio. Não se esqueçam que é graças a ele que existe o Zorra Total." foi uma crítica à hipocrisia do brasileiro, que só vê necessidade de respeitar algumas pessoas depois que elas morrem, e não um desmerecimento ao trabalho do humorista.

Que o humor do cearense serviu de inspiração para as ridículas esquetes do Zorra Total, não há o que discutir. Mas isso não significa que ele seja o "culpado" pela abordagem "humorística" tão pobre e apelativa do programa de sábado à noite. E em momento algum eu disse isso.

O que eu disse foi que, ao contrário do que disse Ziraldo ao apelidá-lo de "Irrepetível", a partir dos anos 90 eu comecei a achar seus programas repetitivos. E mantenho a opinião.

Não acho que ter criado mais de duzentos personagens seja um mérito. O mérito foi ter durado tanto tempo no ar com alguns deles. Isso em uma época em que era muito difícil para as emissoras - inclusive para a Globo - manter uma porcaria no ar por muitos anos. Diferentemente do que acontece hoje em dia.

A maior responsável por toda essa decadência no humor brasileiro é a moda de ser politicamente correto.

A partir de 1985, com o fim do regime militar no país, a mídia perdeu qualquer escrúpulo. Por se sentir livre depois de mais de vinte anos tendo que passar sob o aval da censura, passou a permitir praticamente tudo.

Embora de forma geral isso seja questionável, para o humor, isso foi um ponto positivo. Podia se fazer piada com muita coisa que hoje é considerada intocável.

Eram comuns termos como crioulo, negão, bichinha e veado na televisão. Personagens de origem árabe eram chamados de Salim e, tanto eles quanto os personagens judeus costumavam ser extremamente mão fechada e dinheiristas. Personagens portugueses geralmente se chamavam Manuel ou Joaquim e tinham raciocínio lento, bem como as loiras gostosonas.

Eu até vejo algumas piadas que abordam o racismo, a xenofobia, a homofobia e o estereotipamento como uma forma de abrir os olhos para os problemas do preconceito na época. Hoje se sabe que a televisão leva o telespectador a imitar o que é transmitido, mas na época ainda se acreditava que ela fazia o público pensar.

Na época era permitido aparecer gente bebendo e fumando - faz tempo que o Seu Madruga não aparece com o cigarrinho na mão no SBT - na televisão, e nem por isso se tinha tanto índice de alcoolismo e tabagismo quanto hoje.

Na época existiam piadas sobre sexo, e no entanto, era bem menos comum gurias de 12 anos engravidarem.

Xuxa cantando que esticava e puxava não tornou "os baixinhos" viciados em cocaína.

A partir de 1991, 1992, o medo tomou conta das emissoras e tudo o que até então era considerado natural passou a ser risco de problema. Para não ser processado, fazer média virou uma necessidade.

Já não fosse suficiente cometerem o emburrecimento de dublar os filmes, transformam "fuck you" em "vá se danar". Quem fala uma coisa dessas? Palavrão faz parte da comunicação ocidental e é insubstituível.

Eu não vejo graça nas piadas do "humorista" Rafinha Bastos. Vez ou outra até acho que ele pega pesado. Mas o estardalhaço que foi feito após o que ele falou sobre a Wanessa Camargo foi patético.

Tudo é motivo de punição, processo, advertência e encheção de saco.

A liberdade de expressão não existe há anos, mas ao contrário da época da ditadura, hoje a censura é auto-imposta.

O reflexo disso na sociedade é a velha falação pelas costas. Todo mundo prega discursos politicamente corretos, mas sempre que têm oportunidade, muitos fazem fofoca e demonstram pensar de forma exatamente contrária do que propagam.

Fico me perguntando o que seria de Bezerra da Silva e Os Originais do Samba se suas carreiras começassem nos dias de hoje.

Aos com dificuldade de interpretação ou aos religiosamente sensíveis, tenham claro: eu não falei mal do ídolo (recente ou não) de vocês.

Não vou encerrar com frases clichês como "descanse em paz" porque não acredito que mortos descansem. Mas tenho clara a importância de Chico Anysio para o humor brasileiro e do legado por ele deixado.

Como dito por meu pai, é natural que alguém de 80 anos de idade tenha cometido erros - embora eu sequer os tenha apontado -, mas obviamente como profissional, o humorista cearense acertou muito mais que errou.

Destaco o personagem Tim Tones, que como dito nos comentários, à época era considerado ficção, mas hoje se sabe que era um deboche aos pastores estadunidenses. Hoje tais picaretas são mais do que comuns por aqui.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Parabéns, direção incompetente

1h32 da manhã.
Acabo de chegar do Beira-Rio depois de presenciar o maior fiasco da história recente do Sport Club Internacional.

Não me refiro apenas ao resultado do jogo nem à apatia do time do Inter em campo depois de tomar o segundo gol.

Trata-se do maior clássico do Brasil. É natural e previsível que o suposto favorito perca.

Se favoritismo determinasse resultado, a partida não precisaria ser jogada.

Eu me refiro ao que aconteceu na arquibancada.

Quem é de torcida sabe o quanto a Geral costuma ser FALADORA.

Sempre se papagaiam que cantam mais, que fazem mais festa e que são a torcida mais foda do mundo na pista.

Mas a realidade temos bem clara que é bem distante disso.

Só que o que aconteceu hoje no setor adversário da arquibancada provavelmente vai fazer a gazelada lançar um DVD.

Nos calaram como nunca haviam feito na vida.

Não por mérito próprio, porque até o segundo gol, só se ouvia seus instrumentos, e absolutamente nada de voz - mesmo sem instrumentos e em pouco mais de 50 cantando, só fomos atrapalhados pelo retumbo de suas murgas.

E sim pela INCOMPETÊNCIA EXTREMA da corja do Senhor Rodoviária.

Quem acompanha o futebol gaúcho sabe o que aconteceu nas arquibancadas do Beira-Rio no último greNAL de 2011, e sabe o que aconteceu no jogo seguinte, que homenageou o camisa 7 Fabiano Cachaça, em sua despedida dos gramados.

Não há mínima necessidade de isso ser exposto aqui mais uma vez, até porque quem não sabe ao certo o que aconteceu costuma acreditar em tudo que a tendenciosa mídia esportiva fala sobre torcidas, mesmo sem os jornalistas nunca terem pisado nas ARQUIBANCADAS dos estádios.

O que precisa ser lembrado é que, em vez de se impor e cortar o mal pela raiz, a direção do Inter, através do irresponsável do "Diretor de Torcidas" Luís Fernando Martins, simplesmente lavou as mãos e cortou não só os subsídios dos dois lados, quanto fez com que nós perdêssemos o caráter de torcida, ou seja, nada de instrumentos e nada de faixas durante os jogos.


Aí o torcedor povão, que passa o jogo inteiro sentado comendo amendoim e acha que foi uma excelente decisão da direção, é o mesmo imbecil que vem reclamar que não fizemos barulho o suficiente.

Será que o Senhor Giovanni Luigi gostou de ver os mil da torcida rival fazendo mais barulho que nossos mais de dez mil (público RIDÍCULO pra um clássico, independente de época, dia da semana ou campeonato em disputa)?

Será que toda a direção espera que, com o time disputando Libertadores, venham torcidas brasileiras, uruguaias e argentinas fazer com que esse FIASCO seja repetido?

Sou sócio titular do Inter e do Parque Gigante desde 2001 (nos três anos anteriores, fui dependente do meu pai).

Costumo deixar de ir em no máximo três jogos em casa por ano.

Voto em todas as eleições desde que esse direito me é cabido, e votei no Luigi em 2010, não por achar que  era o presidente ideal, e sim porque a oposição, além de apoiar pilantra parasita de torcida, só falava em dinheiro e Copa do Mundo, deixando o direito do torcedor em décimo-segundo plano.

Hoje me questiono se de fato teria sido pior se o presidente tivesse sido o outro candidato.

Não podemos permitir que a ingratidão e a omissão de uma direção incompetente transforme o Gigante num salão de festas pra qualquer torcida.

Nos poucos meses em que as barras da Azenha estavam punidas não houve clássico no Chiqueiro, mas tenho certeza de que se tivesse ocorrido, por não permitir que a torcida local entre com instrumentos, a direção do rival teria nos proibido também de entrar com qualquer material, pois sabe que é muito feio a torcida da casa ser calada por qualquer visitante, principalmente pelo maior rival.

Nossa direção incompetente não só deixa o rival cantar mais alto como permite que gazelas passem o jogo inteiro sentadas na mureta (todos nós sabemos o que acontece quando tentamos isso na Azenha) e invadam a coreia após o término do jogo.

Aí por tentar impedir que elas depredem nosso estádio, tomamos porrada e cacetada da mais incompetente ainda Brigada Militar, que se prestou a tocar spray de pimenta perto de crianças e pais de família, enquanto as gazelas da arquibancada continuavam pulando a mureta para beijar as gazelas do time.

Policial Militar nem deveria existir, pois quem tem a obrigação de fazer a SEGURANÇA da população tem que ser julgado como civil sempre, e não ter direitos de militar.

Mas já que existe, deveriam estar NAS RUAS fazendo o seu serviço, e não dentro dos estádios fazendo MERDA atrás de MERDA.

Segurança de estádio tem que ser paga pelo CLUBE, e não pelo contribuinte.

Principalmente um clube que se gaba de ter passado dos cem mil sócios, alguns dos quais passam fome para poder pagar a mensalidade.

Mas isso eu sei que não vai mudar muito cedo.

O que cabe a nós, torcedores, tentar mudar com todas as nossas armas, é a postura dessa direção, até termos uma oposição que não seja mercenária e trate o torcedor que praticamente vive pro clube com o seu devido respeito.

Uma direção que não permita, por exemplo, que conselheiros e outros pederastas azuis atirem objetos dos camarotes em  sócios e outros torcedores colorados.

Uma direção que saiba se impor com o inimigo, e não com quem dá o sangue pelo clube.

Enquanto não nos derem apenas as obrigações de torcedor, e sim também os verdadeiros direitos, se preparem para mais fiascos como o ocorrido na noite desta quarta-feira.

E falo como um COLORADO, não como minha torcida, que infelizmente vem sendo punida pelo que não fez.

Parabéns, direção incompetente!


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Lars Frederiksen

Fãs de todas as vertentes do verdadeiro punk rock costumam ter uma opinião formada sobre o Rancid. Com uma sonoridade que foge do mais comum entre as bandas californianas formadas na década de 90, eles costumam ser respeitados por desde os punk rockers mais tradicionais, que seguem a escola do punk 77, quanto por fãs de bandas mais melódicas como Bad Religion e NOFX, mas a maioria de seu público consiste em street punks e skins ao redor do mundo.

Bebendo da fonte do Clash, sua maior influência, o Rancid coloca muitos elementos de música jamaicana em seus sons, tendo grande parte de seu quarto álbum, Life Won’t Wait, gravada no país caribenho.

Mas também há muito de bandas clássicas como GBH, Blitz e Exploited na sonoridade.

Os três integrantes mais antigos do Rancid constantemente lançam discos e fazem turnês com alguns projetos paralelos.

O baixista Matt Freeman – na minha opinião um dos melhores do mundo em atividade – teve seu projeto de psychobilly chamado Devils Brigade.

O guitarrista e vocalista Tim Armstrong – que, assim como Freeman, está na banda desde sua formação, no fim de 1991 –, além de lançar dois discos com o Transplants, teve em 2007 seu excelente disco de ska A Poet’s Life, cuja banda de apoio era o Aggrolites.

Frequentemente Armstrong participa – tanto como produtor quanto como vocalista e guitarrista – de discos que vão desde bandas do cast da HellCat, sua gravadora, quanto coisas inusitadas, como em What’s My Number, versão que o Cypress Hill fez para o clássico Guns Of Brixton, do Clash.


LARS FREDERIKSEN

Mas sem dúvida o integrante do Rancid que mais causa opiniões adversas é o também guitarrista e vocalista Lars Frederiksen, que entrou para a banda durante as gravações do primeiro álbum, em 1993.

Depois de dois ótimos álbuns de street punk com o Lars Frederiksen & The Bastards, em 2001 e 2004, Lars vem fazendo turnê com sua atual banda, Old Firm Casuals, também de street punk, mas totalmente voltada à cultura de arquibancada.

A formação do OFC levou muitos fãs de futebol a questionarem a veracidade de Lars, pois o guitarrista – que já tocou no UK Subs –, embora filho de dinamarquesa, sempre viveu nos Estados Unidos, país onde o futebol é chamado de soccer e não passa de quinto ou sexto esporte em popularidade.

Além de alguns hooligans, Lars passou a ser tratado de forma adversa por meia dúzia de white  powers, que criaram o patético “movimento” S.H.A.L.F (Skinheads Against Lars Frederiksen), uma sátira à cultura S.H.A.R.P. Tal movimento, além de ser extremamente raso, não possui mínimo embasamento, pois Lars é um verdadeiro admirador do esporte bretão, e costuma viajar para assistir a jogos.

No último sábado, dia 4, rolou show do Old Firm Casuals em San Diego. O porto-alegrense Henrique Scapini, que mora na Califórnia desde 2005, colou lá e conseguiu trocar uma ideia com Lars.

Com uma informalidade e ausência de tietagem que conquistaram a simpatia do guitarrista, eles falaram sobre LFATB, OFC, possibilidades de shows do Rancid no Brasil, futebol e até sobre churrasco.




Quando Henrique chegou no Ken Club, o Dead On The Wire, primeira banda de abertura, recém tinha começado a tocar. Como havia combinado de encontrar um amigo, ficou esperando do lado de fora.

Cerca de dez minutos depois de Henrique chegar, estaciona na frente do local uma van branca. Dela saem Lars e os outros integrantes do OFC, e começam a conversar com algumas pessoas que estavam por ali, aparentemente conhecidas de Lars.

Henrique ficou empolgado, pois, nas palavras dele próprio, ele, “um brasileiro fodido que nunca imaginava sair de Porto Alegre”, estava ali, na outra ponta da América, a poucos metros de um cara que ele admirava musicalmente desde piá, que tocava em uma de suas bandas preferidas.

Cogitou ir até lá e trocar ideia, mas não quis ser inconveniente. Por mais que seja gratificante receber um reconhecimento pelo seu trabalho, ninguém costuma gostar de tietagem e pagação de pau.

Passados alguns minutos, Lars estava conversando apenas com uma amiga enquanto fumava um cigarro. Henrique achou essa a melhor hora de ir se apresentar.

Para sua surpresa, Lars o recepcionou da forma mais de boa possível. Disse que durante a turnê havia conhecido alguns brasileiros.


RANCID EM TERRAS TUPINIQUINS

Logo de cara, Henrique já faz a pergunta que mais interessa à maioria dos leitores deste blog: “Vocês pensam em tocar no Brasil?”

Ele responde na hora que era claro que sim, mas que experiências recentes de bandas como o Madball e o Cock SParrer no país os deixam receosos. A ideia que eles têm é que aqui não se pode dar dez passos sem a presença de seguranças, e que há sempre a possibilidade de sequestros-relâmpagos.

Henrique o explica que não é bem assim, mas é obrigado a concordar quando Lars diz que aqui sempre dá muita treta em shows e que muitas produtoras dão calotes nos músicos.

O assunto fica no “We will see...”, mas Henrique acredita que uma hora ou outra eles acabem fechando shows no Brasil.

Nesse momento chega Giuliano, amigo marombeiro de Henrique e já se apresenta. A amiga de Lars pergunta se ele luta jiu-jitsu, pois brasileiro bombado tem essa fama por lá. Ele responde que sim e ela pergunta sobre as lutas do UFC que ocorreram naquela noite.



SOCCER É O CARALHO

O coloradaço Henrique descobre que Lars é viciado em luta livre e, aproveitando que o assunto é esporte, pergunta: “Do you really like SOCCER?”.

Lars responde que sim, realmente gosta de FOOTBALL, mostrando no mínimo respeito ao esporte jogado com os pés e muito mais tradicional no mundo que o patético futebol americano.

Conta que jogava indoor (que no Brasil, chamamos de showball), mas por ser um fumante de 40 anos, atualmente se restringe a bater bola com seu filho de quatro anos, Wolfgang – provavelmente uma homenagem ao guitarrista original do Misfits.

O músico diz que não pôde assistir ao clássico West Ham x Millwall, mas que “nós perdemos por 2 a 1”.
Henrique pergunta quem era o “nós” e descobre que Lars torce pro Millwall e seus amigos torcedores do rival não paravam de ligar para encher o saco.

Lars diz que no Brasil, simpatiza com o Palmeiras, embora não conheça muito bem o clube – o que talvez justifique tal simpatia.

Nos EUA, Lars e Wolfgang vão ao estádio apoiar o San José Earthquakes, time da primeira divisão do país.



Henrique comenta que é engraçado, que a maioria dos seus amigos só vinha falando em SuperBowl, mas que no mesmo horário ele iria reunir alguns colorados para assar uma carne e assistir ao GreNal.

Nisso Lars pergunta se Henrique conhece "linguica".
Henrique explica que ele é da região do Brasil onde se faz o verdadeiro churrasco, e onde mais se consome carne no país.

Lars disse que caga pra futebol americano, e que se pudesse, faria o mesmo todo domingo: churrasco e futebol.

Um pirralho que havia se metido na conversa à base da pagação de pau ouve o termo futebol e pergunta se eles vão assistir ao Super Bowl no domingo.

Os três começam a rir e Lars fala que só gosta do verdadeiro futebol, não dessa merda de futebol americano.

Quando o Pressure Point começa a tocar, Lars se despede dos dois brasileiros e vai prestigiar a segunda banda.



THE BASTARDS

Henrique comenta com Giuliano que não esperava tamanha humildade. Que no Brasil qualquer integrante de bandinha de merda com seis meses de fama já é arrogante pra caralho e o cara com toda a trajetória era tranquilo.

A frente do Ken Club começou a encher e menos de dez minutos depois, Lars volta para a rua e, para a surpresa de Henrique e Giuliano, diz, rindo: “I’m going to hang out with the brazilians”.

Henrique conta que está com ingressos e passagens compradas para o show do Rancid com o Cock SParrer em San Francisco, no fim de março.

Lars fala que depois de muitas vezes tentando e não conseguindo fechar as datas entre as duas bandas, seria uma honra poder fazer esse show justamente quando o Rancid completa 20 anos e o Cock SParrer 40.

O gaúcho pergunta se há planos com o LFATB e Lars responde, enfático, que a banda acabou e que agora o foco era no OFC.

Nesse momento o mesmo piá que tinha se colado neles fala que “deve ser legal tocar às vezes com o Old Firm Casuals”, tratando a banda como brincadeira. Isso deixou Lars puto e fez com que ele parasse de cortá-lo de forma educada: “OFC is a full time band”.

Para não ficar sem assunto, o pirralho pergunta qual é a do Rock and Roll Theater, espécie de musical lançado no You Tube, e Lars conta que aquele era um projeto de alguns anos atrás, mas que só conseguiram concluir no fim de 2011.

O guitarrista fala de uma possível tour na Europa com os holandeses do Evil Conduct e, quando Henrique fala que considera os suecos do Perkele a melhor banda de street punk da atualidade, Lars instantaneamente concorda.

Lars voltou a deixar claro o quanto era satisfatório para ele tocar com o Old Firm Casuals, que o que ele realmente curtia eram esses shows menores, que com o Rancid às vezes as coisas ficavam “too crazy”.

Disse também que o público desses shows menores é formado por quem realmente curte o som, os fãs mais verdadeiros.





Henrique concorda e conta que havia visto o Devil’s Brigade no Casbah, um lugar pequeno de San Diego.

Lars o parabeniza e fala que esse tipo de show merece apoio mesmo, porque quem tá nessas toca porque gosta, e não pela grana. Conta que não possui o equivalente ao nosso Ensino Médio, que não é um cara ambicioso, financeiramente falando, mas que faz o que realmente gosta.

Os dois se despedem e Henrique aconselha ele a convencer o resto do Rancid a vir pro Brasil, que apesar de toda a pilantragem, eles iam gostar muito daqui.



O SHOW

Entram durante as últimas músicas do Pressure Point. Logo depois o Old Firm Casuals sobe no palco.

Henrique considera o aspecto de Lars muito melhor do que quatro anos antes, quando assistiu a um show do Rancid e surgiu o boato de que o músico estava com câncer. Provavelmente a verdade seja a de que à época ele estivesse abusando de álcool e drogas. O “Gatorade On The Rocks” que ele bebe durante o show é mais um indício disso.

Segundo Henrique, um baita show, com uma banda muito boa. No intervalo, Lars homenageia seu irmão, morto há alguns anos, que foi quem o apresentou ao punk rock.



Fala que sempre curte bastante tocar em San Diego, que muito já usou speed em Ocean Beach, praia frequentada por punks, hippies, motoqueiros e mendigos na cidade, e primeiro bairro onde Henrique morou quando se mudou para os Estados Unidos.

Encerra o show dizendo mais uma vez que OFC é banda de verdade, que não era um simples passatempo de ninguém.

Após o show do OFC, Henrique compra os splits da banda que ainda não tem.

O show de encerramento fica por conta do Rat City Riot, banda conceituada na cena de San Diego e da qual Henrique só não é baixista porque é casado e há alguns anos, quando foi convidado, não queria largar o emprego e deixar sua mulher sozinha, pois sua família é de Boston.

Henrique volta para casa satisfeito por conhecer a humildade de Lars e com a certeza de que eles irão pensar melhor sobre uma vinda ao Brasil.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Puta falta de sacanagem!

Ainda falando sobre superestimar a importância de algo, um modismo que vem durando é o de chutar cachorro morto.

O que é tido como estereótipo do debochável é o que mais sofre piadas prontas.

Nos últimos anos, embora os shows das bandas coloridas da moda estejam sempre cada vez mais cheios, sempre tem muito mais gente criticando tais bandas do que dizendo que curte o som (o que é completamente compreensível, pois a sonoridade é infantiloide e superficial).

Mas eu gostaria de entender o que leva alguém que não gosta de um som a ir no show da banda responsável por tal som.

No último domingo, um dos afeminados integrantes do Restart levou uma pedrada de gelo na cabeça durante um show na cidade de Rio das Ostras, Rio de Janeiro.


A pedra de gelo teria sido jogada por alguém do público, que supostamente pagou ingresso para estar ali.

Nem se eu morasse em uma cidade onde muitas vezes não se tem absolutamente nada para fazer, em relação a entretenimento - e eu já morei - eu entraria num show do Restart, mesmo que de graça.

O cara se abalar até o evento simplesmente pra mostrar que ele é fodão e não gosta de Restart faz dele muito mais imbecil que qualquer fã seguidor de tendências.

Longe de mim vir com discurso "pacifista", só acho que tem muita gente mais digna de violência que uma criança que faz som pra crianças.

O pirralho ainda teve a hombridade de continuar o show até o final, coisa que muita banda de verdade já deixou de fazer.

O Grande Irmão enxerga até estupro com consentimento da vítima!

Não assisto a qualquer porcaria enlatada vendida como "reality show", mas que de realidade não tem absolutamente nada.
Não assisto porque não gosto, não me divirto vendo um bando de bombado e puta - por mais gostosas que sejam - sem cérebro tentando convencer o público de que aquele script que eles seguem é algo espontâneo.
Não assisto porque acho isso um exercício ao emburrecimento e à futilidade.

Mas depois de muito manifestar minha opinião adversa a esses programinhas cretinos que fazem o povão gastar milhões a cada semana com "votações" que não determinam a posição de ninguém "na casa", percebi que todas essas correntes contra algo que tá na moda surtem efeito contrário, pois chamam muito mais a atenção de todos para tal fato.

Aconteceu recentemente com o cantor pop (que se de "sertanejo" não tem absolutamente nada, de "universitário", muito menos) Michel Teló, que, mesmo com todo o manifesto contrário, a cada semana vê sua elaboradíssima "Ai, se eu te pego" sendo regravada em um idioma diferente.

O mesmo acontece com o programa que faria o mestre George Orwell se revirar no túmulo, caso isto fosse possível. Quanto mais se manifesta algo contra - provavelmente para provar que se é culto e que não se segue o fluxo do senso comum -, mais gente liga a televisão e passa a assistir.

Por isso, eu tinha decidido não manifestar mais qualquer opinião relativa a esse programa emburrecedor de seres talvez nem tão humanos quanto muitos consideram.

Mas a falação em torno de um suposto estupro ocorrido após uma festa no último fim de semana foi tamanha que eu fui obrigado a ver do que se tratava.

Depois de todo mundo encher a cara, um participante qualquer do programa resolveu deitar na mesma cama que uma vagabunda que supostamente estava se vazando pra ele, e logo após, passou a boliná-la.

Dormindo ou não, ela correspondeu e o deu passe livre para continuar o serviço. Não se sabe se houve de fato sexo, mas a polêmica em torno disso se tornou insuportável.

Em primeiro lugar, preciso deixar claro que sou completamente contra qualquer direito a estupradores, e acho que este é um dos crimes mais merecedores de pena de morte.

Mas o que caracteriza um estupro é o fato de o ato sexual ter sido cometido à força, SEM O CONSENTIMENTO DE UMA DAS PARTES.

Estando bêbada ou não, estando dormindo ou não, temos que levar em consideração que se trata de uma quenga de marca maior.

Quem participa deste programa deseja a fama acima de tudo, mesmo que uma fama rasa e com prazo de validade. E mulher que tem essa mentalidade, na maioria dos casos, usa o corpo como ferramenta para alcançar tal fama, geralmente da forma mais vulgar possível.

Ou seja, um dos pré-requisitos para uma mulher fazer parte da baixaria toda é ser gostosa, burra e FÁCIL.

Mas isso pode ser tachado de preconceito da minha parte. Beleza! "Toda generalização é burra", inclusive essa. Além disso, o fato de uma mulher ser vagabunda obviamente não justifica um estupro.

Mas eu me dei ao trabalho de assistir atenciosamente aos 7 minutos do vídeo do suposto estupro.

EU NUNCA VI VÍTIMA DE ESTUPRO REBOLAR!

A mulher não fez absolutamente nada contra a vontade dela. É oportunismo demais vir com esse discurso de coitada depois de ter não só dado sinal verde para o cara ir adiante como ter o ESTIMULADO a continuar.

Não sei se isso fazia parte do script do programa ou não, talvez isso já estivesse previamente decidido para ter um pretexto para eliminar um participante.

Mas envolver polícia na programação da novelinha é baixaria demais.

E fazer todo esse estardalhaço por causa de algo que acontece todos os dias em diversas festas no Brasil é MUITA FALTA DO QUE FAZER.

Por não assistir a esse lixo, não tenho conhecimento sobre o que ocorreu antes e depois, mas DURANTE ESTES SETE MINUTOS, NÃO HOUVE ESTUPRO ALGUM.




Vão polemizar em cima do que realmente merece, bando de desocupado!

E parabéns à Globo, que mais uma vez conseguiu a audiência que desejava através da baixaria extrema.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ano novo, mesma vida!


Mais um ano começa e com ele volta toda a hipocrisia humana de achar que a simples virada de um ano para outro vai nos tornar pessoas melhores.

Promessas e mais promessas, dietas, planos, projetos, cursos e outras coisas que nunca saem do papel.

Mas pior que isso é a cara de pau de achar que tudo o que aconteceu de ruim deve ser esquecido, pois “é passado”, mesmo que esse passado seja há menos de duas semanas.

Gente que se odeia passa a se amar, pois acha que brigou por besteira, irmãos que ficaram o ano inteiro sem se falar simplesmente se abraçam e nunca mais tocam no assunto, “amigas” que brigaram por causa de macho perdoam a traição, amigo que foi sacaneado perdoa a pilantragem de amigo e todos são felizes para sempre, até a merda se repetir.

A virada de um ano é uma simples contagem ocidental criada pelo Cristianismo. Em diversos outros lugares do mundo, é apenas a virada de um dia para outro.

Isso é justificado por um fato muito simples de se entender: É APENAS A VIRADA DE UM DIA PARA OUTRO.

Não é um ciclo que se encerra e tampouco outro que começa.

As pessoas deveriam parar com essa baboseira de ano novo e TRABALHAR mais, FAZER mais, em vez de ficar prometendo coisa sem pé nem cabeça.

Em vez de simplesmente “esquecer” uma desavença, seria muito mais útil botar as cartas na mesa e RESOLVER o problema, pra que ele não se repita.

Em vez de perdoar uma traição, passar a conhecer melhor as pessoas com quem convive antes de confiar.

Querer melhorar como ser humano é completamente digno, mas isso deve ser feito dia após dia, e não simplesmente com a ilusão de “ano novo, vida nova”.

A vida é a mesma, e melhorar, piorar ou se manter igual depende em grande parte dos nossos próprios atos.

Feliz dia normal a todos que fazem acontecer o ano inteiro!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Carência de atenção virtual não tem profissão

A necessidade de exposição do ser humano através das redes sociais não tem mesmo limites.

O protagonista do fiasco da vez é Vinícius Prates, agente do centroavante Leandro Damião, camisa 9 do Internacional.

Nesta quinta-feira, dia 24, o empresário postou em seu Twitter @conttratta uma foto ao lado de Sandro Rossel, presidente do Barcelona.



Abaixo da foto, a legenda: "reunião produtiva hoje, Sandro Rosell, presidente do FC Barcelona"

Como o jogador é peça fundamental para o Inter na Libertadores 2012, caso o time se mantenha no G5 do Brasileirão, a reação dentro do clube não foi nada amigável.

O diretor de futebol do Internacional Fernandão criticou publicamente o ato do empresário: O Damião vai abrir as portas para ele em qualquer clube. Faltou experiência para o empresário dele. Ele devia estar mais preocupado em valorizar o jogador que vai colocar o Inter numa Libertadores do que postar foto de uma reunião ao lado do presidente do Barcelona.

Fernandão disse também que Prates desviou o foco do jogador em um momento decisivo.

O fato gerou cobranças por parte da torcida, que faz questão que o jogador assediado por diversos clubes europeus se mantenha no Beira-Rio em 2012.

O próprio presidente do Barça se manifestou através da assessoria de imprensa do clube: “Eu não me reuni com este senhor para negociar nada. Apenas nos cruzamos em um hotel de Milão e ele pediu para tirar uma foto. Aceitei e nada mais."

Tamanha pressão fez com que o empresário assumisse hoje que a foto foi mera tietagem.

"Estão fazendo tempestade em um copo d’água. Não teve reunião alguma mesmo. É bom que todo mundo saiba para acabar com toda esta confusão" - admitiu Prates.

Esse tipo de frase é até aceitável quando se trata de brincadeira, mas se a intenção inicial do empresário ao postar a foto foi fazer uma piada, deveria ter se justificado assim que percebesse que a ironia não estava sendo compreendida pela maioria.

Ficou bem feio pra ele!

Damião teve seu contrato renovado por cinco anos e a multa recisória gira em torno dos 123 milhões de reais.

O jogador - que no início de novembro fechou com a empresa 9ine, de Ronaldo Nazário - interessa a clubes como o Tottenham, o Milan e o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, mas deve ficar no Beira-Rio pelo menos até agosto de 2012.

domingo, 13 de novembro de 2011

Festivais de música pop: o que eu fiz para merecer isso?

Não costumo dar atenção a esses megafestivais de música pop porque, em primeiro lugar, raramente tocam bandas que me agradam e, quando tocam, têm seus shows completamente moldados à estrutura do evento e ao "ecletismo" do público.

Em segundo, a quantidade de MERDAS que tocam nesses shows e a cobertura midiática completamente distorcida e feita por gente despreparada fazem com que não compense. Eu preferiria abrir mão, por exemplo, do show do Motörhead no Rock In Rio - mesmo que ele fosse completo e no formato dos concertos originais da banda - a ter que tolerar fiascos de bandas como Guns 'N' Roses e seu patético público.

Mas ao ler que, no fim da tarde deste domingo, o Ultraje A Rigor teve problemas com a crew do Peter Gabriel no festival SWU, me interessei pelo assunto, pois é uma banda da qual eu gosto bastante.

Devido à forte chuva que caiu sobre a cidade paulista de Paulínia, onde ocorre o festival, o show do Ultraje começou às 17h40, uma hora e meia mais tarde do que o horário previsto.

Isso fez com que a apresentação dos brasileiros ficasse colada na do cantor estadunidense Chris Cornell, ex-vocalista do Soundgarden (e do Audioslave, projetinho cretino dos instrumentistas do Rage Against The Machine após a saída do vocalista Zack De La Rocha, no início dos anos 2000).

Graças ao atraso, antes mesmo de o Ultraje entrar no palco, o cast da banda já começou a ter conflitos com quem acreditavam ser agentes do cantor "grunge", principal atração da noite (realmente não sei quais os critérios pra determinar tal importância).

Ricardo Trovão, agente do Ultraje e irmão do vocalista Roger Moreira, chegou inclusive a trocar socos com quem mais tarde se descobriu ser agente do músico britânico Peter Gabriel.





Durante o show do Ultraje A Rigor, pessoas desconhecidas começaram a subir no palco e pressionar a banda para encerrá-lo. Como a ordem não foi acatada, os produtores simplesmente fizeram com que a equipe técnica desligasse os equipamentos.



Discursos "patriotas" à parte, a postura da equipe de Peter Gabriel não passa de uma reação à forma com que a própria produção de tais patéticos festivais trata os artistas.

Ostenta os internacionais - muitos deles em total fim de carreira -, dando a eles um tratamento jamais recebido em seus países, faz o mesmo com algumas bandas nacionais "do momento", e trata como lixo as poucas bandas dignas de respeito.

Sinceramente, eu não faço ideia do que leva bandas nacionais honestas e com estrada como a do Ultraje e a dos Paralamas do Sucesso, por exemplo, a se submeter às regras de tais festivais. Elas não precisam disso, sendo quem elas são.

O boicote ao Ultraje a Rigor já começou antes do primeiro dia do megafestival: por ser banda de apoio do programa Agora É Tarde, que vai ao ar pela Bandeirantes, a Globo simplesmente cortou o nome do Ultraje de toda a divulgação do evento.

Nada surpreendente em se tratando de tal emissora, cujo grupo é dono do Multishow, canal de TV que transmite o festival - em seu Twitter @Roxmo, Roger continuou tratando do assunto até esta madrugada, esclarecendo alguns detalhes não veiculados pela maioria das matérias sobre o assunto.

Aí no primeiro conflito, simplesmente decidem que o show deles tem que ser sacrificado.

Peter Gabriel tá recebendo um cachê altíssimo pelo show. O certo seria ele se adaptar aos imprevistos do evento, e não o contrário.

Mas enquanto a produção dos festivais tratar tais artistas como reis, eles vão continuar reagindo de tal forma. Bastaria um pulso firme de quem formula os contratos para que os músicos gringos abaixassem a crista e se colocassem em seu devido lugar. Mas os produtores são um bando de cagão que adora fazer média.

Só posso lamentar. O Ultraje tem total potencial pra lotar casas no país inteiro, mesmo sendo a única atração.

Muito RESPEITO à toda a caminhada do Ultraje A Rigor.